quinta-feira, janeiro 20, 2005

a fenda...

Nado no oceano das palavras
como um recém nascido
a dar as primeiras risadas.

Sentimento inolvidável
de pura frescura oxigenada
que emana nas guelras
dum ser que cresce
mas não entristece
por se sentir inadaptado
no meio da multidão do nada.

Integrado
segue o seu caminho
sobrevive em dor
e em dor desbrava
florestas
de venenosas alforrecas.

Que trespassam
passam
e ultrapassam
os limites do horror
sem clamor
é só rancor.

Sobrevivência neste campo
de azul ou verde em tons
de negro transparente
onde ninguém oferece um manto
de alegria
ou mesmo de pranto
um prazer transcendente
alcançado por quem quer
e não por quem desmente.

Quem dá o dito por não dito
e não prevê que por detrás
do brilho de uma fenda
pode estar um silêncio capaz
de suster de forma estupenda
o fôlego mais mordaz.

Phillipovic

1 Comments:

Blogger Priscila Santos said...

Gosto mesmo de poemas que acabam bem!
Claro que o acabar bem é relativo....

Eu gostei do final, de como rematás-te de forma muito bem desenvolvida, rápida, resumida, mas que reune o último respirar do poema todo e faz nos expirar com ele, aquele gostinho de querer ler de novo, o quadro de imaginação que pintas muda constantemente com novos descobrimentos... e é por essa divagação de palavras e sentimentos que eu acho que o poema é um sucesso!

gostei muito da viagem que nos propões!

11:45 a.m.  

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