segunda-feira, janeiro 23, 2006

Insónia discreta

Minha alma está sedenta de ti.
Minha alma é incompleta sem ti.
Terra árida esgotada,
boca azul,roxa, gretada.
Rejeita-se a si.

Comtemplei estando de branco, alto no Teu trono.
Meditei sobre ti em vigilias de noite sem sono.
Gritei de júbilo na sombra das tuas asas.
Pequeno indício de aves em planagens rasas,
ou prenúncios de luz da lua sobre casas.

Anseio por ti e uma visão de coisas tuas
levanto as palmas nuas e puras,
dou-te o que venci,
o que prometi
ás luas de outras noites em que não dormi
ás brancas nuvens suas
que cobriam de leve as estrelas
brilhantes que me caíam...


Loucura de perseguir o silêncio de paz como uma bola de pólo.
Tortura de lutar sem olhar para trás numa declaração a solo.
Tudo por um relançe de me achar dormindo
desatenta em protecção no teu colo.
quando me dizes em surdina no ouvido: continuarás!

(salmos 63)

Significar-me

Tornar-me-ei para com outros
Mostrar-me-ei ser quem mostrar ser
Eu sou o Ser
Eu sou o existente
Tornar-me-ei o que eu quiser
Tornar-me-ei o Saber
o Amor, o Poder.
Sou quem sou
e o que vir a entender,
contudo tudo vos dou
mesmo sem agradecer.

Sou o Tempo
que controlo na minha mão.
Torno-me o que entendo
mas ouço teu coração.
Tão pequenino!
Tão grande a imperfeição!
Bate tão lento
no peito, o teu pulmão!
E eu trago-te ao colo devagarinho,
sossego o teu respirar acelerado,
paro por ti.
Dou-te um conselho sussurrado,
um anjo incansável alado
que te dá proteção.

Benção
de tanto trabalho,
ver-te trabalhar assim...!

Teu nome

Queria dar-te um nome
pelo teu nome chamar
acabar com esta fome
de uma vida por realizar.

estranho todo o mundo
e tudo o que nele vem
tenho-Te no profundo
e sei que a vida contém.

Regra básica do instinto
é o que suporta e sustém
quando nada dentro sinto,
forçando sei que minto,
o sentido que o mundo tem.

Agora sei que não me engano
o caminho por si se trilha,
o preto longo pano
abriu, não mais faz dano,
abre-se a porta. E brilha...

Luz sem fonte
onde agarrar,
dás-me o nome
para me sustentar.

(baseado em Êxodo 3: 13-14)

terça-feira, janeiro 17, 2006

Alucinação


Perguntas-me se tenho medo…
Claro, tenho muito medo!
Medo de perder o medo.

O medo de amar,
O medo de sorrir,
O medo de sonhar
E de para longe ir.

Podes pensar que estou a alucinar,
Que sou uma “querida” louca,
Sim, mas entenderás um dia
As verdades que te quis mostrar.

O medo de ti
O medo de viver
O medo do que vi
E de com isso sofrer.

Mas consola-me saber,
Que loucura igual a esta não é em vão,
Que este meu medo,
Só vem…tu sabes que vem do coração.

Sim, consola-me saber
Que este meu medo não é em vão,
Que este medo é doce, profundo,
Sim que percorre cada pedacinho do meu coração.

Acredita, que só ele
Faz com que cada momento,
Cada simples momento em que
Amo, Sorrio, Sonho ou que almejo ir mais longe
Seja apenas um simples momento.

Mas seja apenas um simples momento
Que tão simples, mas profundo,
Se torna num momento único,
Simples mas profundo.

E isso deixa-me feliz!

terça-feira, janeiro 03, 2006

Tributo a "Donzela Explêndida"