terça-feira, março 04, 2008

asas

é nas tuas asas
que sucumbe
o pretensioso
desejo de ter
pouso.

é nas tuas asas
que integro
o sonho interno
de em penas
pairar.

tens tudo para me dar.
tens tudo para me oferecer
tens um campo para mostrar-me
tenho um canto só para voar.

são asas de glória
que avisto dormindo
entre o sol e levantar
porque antes de tudo
visitas-me.

não sei explicar
a visão matinal
do céu mudo
no tecto do quarto
ao implodir-me.

são asas de águia
são asas de paz
não vejo asas
sinto o vácuo
(da sua passagem)
a expandir-me.

sal 57:1; 61:4; 63:7