quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Pródigo

Desejo tanto a tua sombra
Desejo tanto que me abraces
vindo eu de ver as terras
desesperado que me encontrasses

Não posso falar de injustiça
não posso falar de ingratidão
de tudo tinha a precisa
e plena compreenção.

Mais vermelha que meu sangue
mais do que o meu coração
é a minha capa com o vexame
e mais suja que a escuridão.

Apenas posso falar de meu pecado
o que me corre grosso nas veias
nem da nascença o podia ter negado
(nem agora de algum modo ter lavado)
ou iluminado po um milhão de candeias...

Tanto da arca o abrangimento
que teria de o ocupar
para dar a tudo alojamento
para poder na memória gravar...

Sem esperar, oro sem perdão,
escorre no chão em agua
o arrependimento, a emoção
do abraço sem mágua,
do cheiro de novo a infância,
roupa, casa, proteção...